INTRODUÇÃO

Muito se discute quanto ao hábito de leitura dos brasileiros, levantando inúmeras discussões sobre o tema. Entre uma ou outra opinião que ouvimos sobre, como de fato se revela o perfil de leitor no Brasil? Segundo os dados disponibilizados pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, apontam que o país perdeu mais de 4,6 milhões de leitores pelos anos de 2015 a 2019, sendo equivalente a uma queda de 56% para 52% do número total de leitores. A média de leitura do brasileiro permeia por volta de 2,4 livros lidos apenas em partes, e 2,5 livros inteiros (2020).

O país possui mais da metade de sua população com algum hábito de leitura, e levando em conta o número total de brasileiros, com mais de 200 milhões de habitantes (IBGE, 2021), é possível observar um número considerável de leitores. Esse hábito vem se tornado mais atraente aos brasileiros, principalmente aos mais jovens, e todo esse novo interesse na arte da literatura, é despertado um maior interesse em escrever, e até mesmo em se tornar um escritor.

A proposta deste texto é buscar um melhor direcionamento, e até mesmo um incentivo àqueles que possuem o desejo de se tornarem escritores, e principalmente como podem viver da profissão. Por mais que no Brasil ainda não haja um mercado fixo para esse ramo, existem inúmeros produtores brasileiros, sejam eles grandes, independentes e, muitos, mas muitos aspirantes. O foco se direciona mais aos pequenos e médios escritores, e como você, que tem o desejo de se tornar um, pode buscar outras vias de distribuição para sua obra ou trabalho. Será que é possível empreender com livros?

MERCADO EDITORIAL BRASILEIRO

Para se produzir um livro são necessários a presença de alguns agentes, fora o escritor, para darem cargo ao processo editorial: distribuição, gráfica e outros afins. Abordaremos aqui um pouco desse processo, e como ele acontece em uma corrente dominante, o então chamado mainstream. É assegurado ao autor da obra a virtude legal do mecanismo de direitos autorais, o que lhe garante a liberdade de remuneração e a proteção titular. É negociado por meio de um contrato os direitos legais de uma editora, que permeiam apenas à liberdade de divulgação e distribuição da obra, sendo esses limites previamente delimitados ao contrato (Castello Branco e Gorini, 2000).

Branco Castello e Gorini (2000, p. 6) ilustram como acontece os passos do processo editorial: 

O adiantamento de um determinado percentual, pago geralmente a autores já consagrados, é feito pelo editor como antecipação dos eventuais direitos futuros, no momento da assinatura do contrato de cessão dos direitos autorais inerentes a uma obra. Existe uma práxis internacional que estabelece a remuneração para o autor em torno de 10% do preço de capa da obra. Esse preço, fixado pelos editores, é praticado pelas livrarias, que negociam individualmente com eles os descontos sobre o preço de capa, que variam em torno de 40% desse preço. Em geral, as grandes redes obtêm os maiores descontos, que constituem a sua margem bruta operacional. Assim, em relação ao preço de capa, em média, 10%

referem-se ao pagamento de direito autoral, 10% ficam com o distribuidor (quando há), 40% com a livraria e os restantes 40% com a editora.

Antes de qualquer coisa, precisamos ter uma dimensão de como se revela o mercado brasileiro. Na América Latina, o Brasil é o país com um maior poderio de mercado, podendo contar ao mesmo tempo com um processo editorial e um mercado interno. A indústria editorial brasileira movimenta em um mesmo patamar os recursos anuais que o mercado espanhol, dispondo de cerca de trinta milhões de consumidores virtuais (Souza, 1994). Um dos pontos a serem discutidos quanto ao perfil do escritor brasileiro, seria quanto ao domínio de seu ofício, e como sua perspectiva puramente artística e filosófica dificulta em reconhecer a prática de escritor como uma profissão (Souza, p. 21, 1994).

O advento da internet trouxe uma nova esperança aos pequenos e médios produtores: novas formas de distribuição que fugiam do domínio mainstream. O e-commerce influenciou em uma nova forma de comercialização de produtos, dando origem aos e-books, que são adaptados às mídias digitais. Toda essa nova reformulação causou uma desestabilidade ao mercado que se encontrava acomodado (Araújo, 2007). Essa reformulação tornou possível a exclusão de alguns outros agentes externos, muitas das vezes necessitando puramente da capacidade empreendedora do escritor, como podemos observar em algumas produções independentes por meio de crowdfundings. Isso permite, inclusive, evitar repartições na porcentagem de lucro por diversos agentes, como foi citado nos parágrafos acima.

CONCLUSÃO

Apesar dos índices de leitura do brasileiro serem inferiores aos países desenvolvidos, podemos considerar que possuímos um grande público em potencial, principalmente se observarmos os jovens e alguns aplicativos de tendência de leitura, como o próprio WattPad. Com os novos meios de distribuição permite ao escritor desenvolver melhor as formas como irá comercializar seu produto, sem depender exclusivamente de meios de mainstream. 

Então chegamos ao ponto questionado no início do texto: É possível empreender com livros? E a resposta é sim. Seja por meio de uma iniciação independente, como os já citados crowdfundings, ou propriamente criando sua pequena editora. Podemos observar hoje em dia exemplos de pequenos produtores que deram certo, e continuam a crescer. Se é possível ou não ser um escritor no Brasil, e viver disso, bastará apenas das próprias iniciativas da pessoa em questão. Se você tem interesse em ser um escritor, procure referências e exemplos, os novos meios de distribuição permitem, sim, que você possa, de alguma forma, viver do que ama. E claro, conhecimento em administração pode ser de grande ajuda nesse momento.

REFERÊNCIA

TOKARNIA, Mariana. Brasil perde 4,6 milhões de leitores em quatro anos. Agência Brasil, 2020. Disponível em <https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2020-09/brasil-perde-46-milhoes-de-leitores-em-quatro-anos#:~:text=O%20brasileiro%20l%C3%AA%2C%20em%20m%C3%A9dia,tamb%C3%A9m%20como%20o%20mais%20marcante.> Acesso em: 27 de fev, 2021.

População do Brasil. IBGE. Disponível em:<https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/box_popclock.php>. Acesso em 27 de fev, 2021.

GORINI, Ana Paula Fontenelle; CASTELLO BRANCO, Carlos Eduardo. Panorama do setor editorial brasileiro. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, p. 6, mar. 2000. Disponível em: <https://web.bndes.gov.br/bib/jspui/bitstream/1408/8465/2/BS%2011%20Panorama%20do%20Setor%20Editorial%20Brasileiro_P_BD.pdf >. Acesso em: 27 de fev, 2021

MEDEIROS, Jualiana; DAVID VIEIRA, Francisco Giovanni e NOGAMI, Vitor Koki da Costa. A construção do mercado editorial eletrônico no Brasil por meio de práticas de marketing. RAM, Revista de Administração Mackenzie, São Paulo, vol. 15, n. 1. jan/feb. 2014. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1678-69712014000100007&script=sci_arttext>. Acesso em 27 de fev, 2021.

SOUZA, Márcio. Ser escritor no Brasil. Fundação Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Disponível em: <https://escholarship.org/content/qt98t9w5t4/qt98t9w5t4.pdf>. Acesso em: 27 de fev, 2021.

Publicado em: 1 de março de 2021

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